Cinco anos passaram desde o inicio do Projeto Criança com todos os seus Direitos.Foram muitas vivências, experiências e aprendizados, a educadora do Centro Nordestino de Medicina Popular Maria da Conceição Paiva de Santana – Solô Paiva, conta-nos sobre sua participação nas atividades e ações desenvolvidas neste projeto que acabou-se em novembro do 2014.

Como surgiu o projeto e quais que organizações participaram?

Solô nos fala da importância de trabalhar com crianças no sertão pernambucano: A Save The Children fez uma pesquisa em 2008/2009 sobre a situação da criança e do adolescente no semiárido nordestino. Apresentaram os resultados dessa pesquisa feita pela Save The Children e Unicef aos gestores municipais. A análise da pesquisa mostrou que o grupo da população mais vulnerável e com mais violações dos direitos foi a primeira infância. Com base nesses resultados, a Save the Children pensou na ideia do projeto e convidou alguns parceiros para realizar juntos.” O projeto foi cofinanciado pela União Européia e iniciou em dezembro de 2009 e aconteceu em 35 cidades do sertão de Pernambuco e em 5 províncias da cidade de Cuzco no Altiplano do Peru.

Os temas centrais foram: Saúde, Nutrição, Educação Infantil e Proteção.

No Brasil o Projeto foi realizado pelas organizações: Centro Nordestino de Medicina Popular (CNMP), Associação Civil de Articulação para Cidadania (Acari), Centro Dom Helder Câmara de Estudos e Ação Social (CENDHEC), Centro de Cultura Luiz Freire (CCLF), Campanha Nacional pelo Direito à Educação (CNDE), Campanha Latino Americana pelo Direito à Educação (CLADE) e International Child Development Programe (ICDP). Os parceiros foram: Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF) e Programa Mãe Coruja.

Em 2011 a Fundação Abrinq assume no Brasil as funções que antes eram da Save the Children.

Atividades e ações desenvolvidas pelo CNMP:

Fizemo-nos um diagnóstico nutricional. Na primeira fase do programa foi realizado com 815 crianças e 410 famílias (2010 a 2011), e na segunda fase, fizemos com 333 crianças e 165 famílias (2012-2013). Nesses dois diagnósticos as ações foram: inquérito alimentar, pesquisa socioeconômica da situação das famílias das crianças, avaliação antropométrica (peso x altura x idade) das crianças, coleta de sangue para verificar a anemia por carência de ferro.

As crianças que apresentaram índice baixo de hemoglobina e baixo de peso em relação a altura e idade sendo detectada desnutrição crónica ou aguda, convidamos uma pessoa da família, em geral as mães, para durante 6 meses participarem de uma formação sobre educação nutricional, e assim verificarmos se após a introdução de mudança de hábito alimentar a situação de desnutrição das crianças se inverteria.

Iniciamos essa ação com um questionário de frequência alimentar (alimentos mais consumidos) e também de recordatório alimentar (os alimentos mais consumidos nas ultimas 24 hs).

Utilizamos metodologia de grupo focal. A cada dois meses essas crianças eram pesadas e medidas. Os encontros eram encontros práticos: práticas de culinária. O foco das práticas foi na valorização da alimentação local e que não tivessem um custo dispendioso, a partir dos alimentos que se tem em seu ambiente como pode melhorar a alimentação de sua família.

No final das duas fases, nos fizemos novamente à pesquisa, e o resultado foi que o índice da hemoglobina melhorou, foi surpreendente, todas as crianças cujas mães participaram das oficinas de forma sistemática, haviam melhorado seu estado nutricional. Isso deu muita credibilidade ao trabalho.

Para realizarmos este trabalho dialogamos com do Departamento de Nutrição da Universidade Federal de Pernambuco que nos ajudou a definir a metodologia, amostragem, consolidação dos dados e análise.

O projeto desenvolveu um processo de formação sobre o Desenvolvimento Integral da Primeira Infância, reconhecido pela UNIVASF (Universidade do Vale de São Francisco), como um Curso de Extensão. Fomos monitores do curso (CNMP, CENDHEC, CCLF e ICDP). Foi realizado com os técnicos do Programa Mãe Coruja através de quatro turmas durante os cinco anos e com professoras, merendeiras e gestoras de 14 escolas de educação infantil. 

Outra ação foi fazer uma análise dos cardápios nas escolas, nessas escolas que foram escolas polo, com a ideia de fazer sugestões. Realizamo-nos, também, um trabalho de educação nutricional com grupos de mulheres, de mães de várias comunidades, além das mães que participaram do diagnóstico.

Também assessoramos o processo de formulação dos Planos Municipais da Primeira Infância. Dos trinta e cinco municípios o CNMP ficou responsável por Santa Maria, Cabrobó e Mirandiba.

O público com os quais trabalhamos foram: famílias, crianças, gestores públicos, representantes de organizações da sociedade civil, agricultores/as, quilombolas, indígenas, mulheres e homens.

(primeira parte)

Boletim De Volta às Raízes

20080110125352

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