O auditório do CNMP recebeu mais de 50 convidados/as para a o lançamento a publicação “Sistema agroalimentar: uma discussão necessária”. Durante a manhã do dia 3 de agosto, organizado pelo projeto “Caminhos para a alimentação saudável” aconteceu o café da manhã/lançamento. O evento contou com a contribuição das professoras universitárias Zênia Tavares e Sônia Lucena, o agricultor Júlio Bento, o secretário do Consea – PE, Nathan Valle, o professor Reginaldo Xavier de Assis, a coordenadora executiva do CNMP, Diana Mores, e o assessor de comunicação, Gustavo Cabrera Christiansen.

Dividos em três momentos, cada um/a fomos fazendo nossas contribuições. A primeira em falar foi Diana, que fez uma introdução ao sistema agroalimentar. “em mãos de quem está a terra? Os donos vão decidir o que a gente vai comer” - afirmou Diana. O papel das CEASAs, a comercialização, a água, a revolução verde foram algumas das questões do sistema agroalimentar trazidas pela coordenadora do CNMP. Seguido, Zênia Tavares falou sobre a publicidade e alimentação: “a publicidade mostra a família feliz, mas não informa sobre o que é o produto”. Nesse sentido, considerou a necessidade de educação nutricional, para a leitura dos rótulos dos produtos.

A última contribuiçaõ desse bloco foi a de seu Júlio. “Temos que estimular a nossa família para plantar, em vez de cimentar o quintal todinho”, provocou. Também ele incentivou às pessoas para produzir alimentos em pequenos espaços de terra, como quintais ou até em hortas verticais.

Após seu Júlio terminar, compartilhamos um abundante café da manhã. A segunda parte começou com a professora Sônia Lucena, que tematizou a questão do consumo. “Brasil é o pais que mais consume industrializados, pelo qual tem acontecido uma redução drástica do consumo de frutas e verduras”, alertou a professora. Hoje uma pessoa consume 80 gramas de frutas e verduras por dia, quando o recomendado é que sejam 400 gramas. Assinalou também alguns dos motivos desta mudança alimentar, entre eles: o pouco tempo para cozinhar, a facilidade para guardar alimentos via congelamento, a grande oferta de alimentos no mercado, a facilidade na comercilização de alimentos e o poder da publicidade, que influi fortemente em nosso hábito alimentar. Participação e controle social foram os temas que Nathan Valle trouxe para a conversa. Destacou o espírito do sistema que organiza alimentação: por um lado, intersetorialidade; por outro, participação social no planejamento, na execução e no monitoramento. Enfatizou que as organizações, embora estejam presentes em muitos momentos, “não participamos da ação”. Por isso, para Nathan “a sociedade civil organizada precisa executar o que nós mesmos planejamos”.

Antes de começar o terceiro momento, Diana apresentou a equipe do projeto “Caminhos para a alimentação saudável”, financiado pela Misereor: Edjane Araújo e Gustavo Cabrera Christiansen. Este último lembrou dos caminhos percorridos para a realização da exposição fotográfica e posterior publicação. Trouxe a questão de gênero, ao considerar a importância das mulheres em todo o sistema: produção, beneficiamento, comercialização e consumo de alimentos; porém, elas se encontram invisibilizadas. Sobre as feiras agroecológicas avaliou que “são espaços de intercambios, onde se encurta a distância entre produtor/a e consumidor/a”. Por último, Reginaldo Xavier relatou um pouco da experiência do Fórum Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional de Jaboatão dos Guararapes, a participação no Consea estadual e municipal e nos conselhos de alimentação escolar.

Boletim De Volta às Raízes

20080110125352

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