Juazeiro
Medicinal

O juazeiro é a árvore bendita das caatingas. Em plena seca, quando a vegetação fica sem folhas, lembrando braços nus a pedir misericórdia; quando tudo nas caatingas é triste e desolador, com o sol ferrado-de-vez, crestando o solo; quando a face da terra ondulada, soltando, em estado de vapor, as últimas reservas de água das derradeiras chuvas, os juazeiros tornam-se pontos de referência, são uma atração dentro da tristeza doentia dos campos silenciosos, porque são verdes, em um desafio vivaz. Emprestam à paisagem desértica o atrativo de suas folhas esverdeadas,, oscilando em convite amável de descanso ao viajante fatigado.

As raspas da casca do juazeiro têm várias aplicações, a principal é a de substituírem o sabão nos lugares onde a água é pesada, salobra. De fato, elas guardam uma propriedade saponácea que, em qualquer água, espuma abundantemente, retirando das mãos as gorduras e sujeiras nelas contido e também dos tecidos. Na própria água do mar, ela espuma. 

O chá das raspas pode ser aplicado nas pancadas e nos ferimentos.

O xarope feito das raspas e folhas é uma boa panacéia porque, dizem ser poderoso nas bronquites, gripes acompanhadas de tosse e até na tuberculose, afinal facilita a expectoração. Um pouco da raspa em um copo com água, deixando-se macerar para ser tomada antes das refeições, combate gastrites e melhora a colite.

Em tintura ou mesmo seca, a raspa é reduzida a pó, substitui os dentifrícios. Mas cuidado com o uso prolongado, pois é muito abrasivo e afeta o esmalte dos dentes.

Outras informações:

Nomes populares: juá, joá, juá-espinho, juá-fruta, laranjeira do vaqueiro, enjoá.

Hábito: árvore de porte médio, alta de 10 metros ou mais, de tronco reto ou tortuoso, armado de fortes espinhos.

Ocorrência geográfica: cresce nos campos abertos ou nas caatingas dos sertões do polígono das secas (Piauí ao norte de Minas Gerais).

Parte empregada: folhas, frutos, casca e raiz.

Propriedades terapêuticas: adstringente, febrífugo, estomacal, expectorante, tônico capilar e dentifrício.

Toxidade: em doses elevadas produz vômitos, cólicas e fortes irritações no tubo gastrintestinal.

Cultivo: prefere os solos aluviais argilosos, mas cresce por toda a parte, inclusive, nos tabuleiros mais áridos e pedregosos, onde adquire feição quase arbustiva.

Fonte: "Curiosidades da nossa flora", de Getúlio Cézar, Recife, 1956 

Boletim De Volta às Raízes

20080110125352

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